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Como nos meses anteriores, a balança comercial brasileira superou as expectativas e, em abril, registrou valores recordes tanto nas vendas para o exterior quanto nas compras do mercado internacional. Para se ter uma idéia, a média diária das exportações em abril (valor exportado no mês dividido pelo número de dias), de US$ 460 milhões e o saldo comercial, de US$ 3,8 bilhões, foram os maiores já registrados na história. "Se continuarmos nesse ritmo e contando com o início dos embarques de soja, é totalmente factível atingirmos os US$ 10 bilhões exportados num mês", avaliou o secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho.
Segundo o secretário, os manufaturados, produtos com alto valor agregado, continuam sendo os grandes responsáveis pelo bom desempenho da balança. Em abril, as exportações desse grupo chegaram a US$ 4,9 bilhões, um crescimento de 56%. Ivan Ramalho voltou a destacar que o crescimento nas vendas desses produtos deve-se, diferentemente dos básicos, ao aumento das quantidades embarcadas e não de preços.
Em abril, os básicos, com vendas externas no valor de US$ 2,8 bilhões e crescimento de 49%, também se destacaram mas, segundo o secretário, o fator preço impulsionou o crescimento das exportações deste grupo. Ele citou alguns produtos como exemplo: café em grão (crescimento de 62,7% nos preços), carne suína (+41,7%) e açúcar em bruto (+48,5%).
Por países compradores, Ivan Ramalho ressaltou que as vendas para a Aladi, no valor de US$ 1,9 bilhão, superaram as exportações para os Estados Unidos, que chegaram a US$ 1,7 bilhão. De acordo com ele, o crescimento nas vendas para Equador (+106%), Uruguai (+89,3%), Venezuela (+87%), entre outros países deste bloco, foi o responsável por este resultado.
No caso das importações, mesmo com a média diária, de US$ 266 milhões, atingindo valor recorde para os meses de abril, houve uma queda de 10% nas compras de combustíveis e lubrificantes. O secretário explicou que, este decréscimo deve-se, provavelmente, à questão sazonal. Em todas as outras categorias, ocorreram crescimentos nas compras do mercado externo, como bens de consumo (+20,8%), bens de capital (+20,7%) e matérias-primas e intermediários (+19,6%).
Com relação à Argentina, o secretário afirmou que tanto as exportações de produtos brasileiros para este país, quanto as compras de produtos argentinos apresentaram crescimento em abril. "É importante lembrar que se observamos a balança comercial argentina, ocorreu um aumento das importações de todos os países, não só do Brasil", comentou.
No caso de uma possível retaliação argentina contra as vendas de calçados brasileiros, Ivan Ramalho informou que ainda este mês, no dia 16 de maio, em Buenos Aires, na Argentina, ocorrerá uma reunião entre produtos brasileiros, argentinos e os governos para que se tente chegar a um acordo. Ele disse ainda, que no ano passado, as exportações de calçados de couro, atingiram US$ 13 milhões de pares, valores já aceitos pelo governo argentino. "Acredito no diálogo. Até agora, as coisas (no caso da linha branca) se resolveram dessa maneira", ressaltou o secretário.
Os resultados recordes de abril contribuíram para o crescimento dos números no primeiro quadrimestre deste ano. De janeiro a abril, as vendas para o exterior, no valor de US$ 33,653 bilhões, superaram as importações, de US$ 21,459 bilhões, resultando num saldo positivo de US$ 12,194 bilhões. No acumulado de doze meses (maio/04 a abril/05) a exportação atinge valor recorde histórico de US$ 104,090 bilhões.
(Pricila de Oliveira)
03/05/2005
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