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Reunião abre espaço para área de livre comércio entre UE e Mercosul
Comércio exterior
Reunião abre espaço para área de livre comércio entre UE e Mercosul
Sexta, 27 de Maio de 2005, 12h33
Fonte: Agência EFE

A série de reuniões ministeriais que a União Européia (UE) e os países da América Latina realizam em Luxemburgo abriu as portas para a reativação das negociações de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul.

As duas partes concordaram em convocar uma reunião ministerial até o final de julho, que deve servir para marcar uma nova agenda de negociações, que estão suspensas desde outubro de 2004.

A data e a sede do encontro serão fixadas em função das agendas dos quatro ministros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), e dos três comissários europeus que devem participar dela: o de Comércio, Peter Mandelson; a de Agricultura, Mariann Fischer Boel, e a de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner.

O encontro será precedido por uma série de reuniões técnicas, com o objetivo de definir que ofertas, entre as citadas durante o processo negociador iniciado em 1999, serão utilizadas como base para a nova etapa.

O possível acordo de associação criaria a maior área de livre comércio do mundo e também estabeleceria convênios de diálogo político e de cooperação. No entanto, está marcado pela dificuldade para encontrar um ponto de encontro entre os interesses dos dois blocos.

Enquanto o Mercosul pretende ampliar seu acesso ao protecionista mercado europeu de produtos agrícolas, a União quer melhores condições de negócio para suas empresas de serviços com interesses na América do Sul.

Ontem a agenda das reuniões de Luxemburgo incluiu encontros separados da UE com Mercosul, Chile, América Central, Comunidade Andina de Nações, México. Hoje será a vez do Grupo do Rio, integrado por 19 países da América Latina.

A quinta-feira foi marcada pelas questões comerciais - a UE examinou também as possibilidades de abrir negociações de livre comércio com a Comunidade Andina e a América Central -, mas também permitiu declarações de tom político.

O Mercosul expressou sua "inquietação" pela inclusão das Ilhas Malvinas na Constituição européia. A soberania do arquipélago é disputada por Argentina e Reino Unido.

O ministro luxemburguês de Exteriores e presidente do Conselho da UE, Jean Asselborn, disse que se reuniu esta semana com o embaixador cubano perante o bloco, Rodrigo Malmierca, para expressar seu mal-estar pela recente expulsão de parlamentares e jornalistas europeus de Cuba, mas também para renovar o interesse europeu em normalizar suas relações com Havana.

A reunião desta sexta-feira entre a UE e o Grupo do Rio mantém o mesmo tom político.

Algumas questões que fazem parte da agenda de hoje são o futuro das relações entre as duas organizações; a integração regional e a cooperação; a situação no Haiti; a coesão na luta contra a pobreza; o bom governo e a preparação da cúpula da ONU em setembro.

Nos discursos iniciais, o chanceler argentino, Rafael Bielsa, atual secretário do Grupo do Rio, pediu reformas nos organismos multilaterais de crédito.

"O começo do século XXI deve significar o final de uma era e o começo de uma nova colaboração entre credores e devedores, assim como uma reforma dos organismos multilaterais de crédito, assegurando uma maior participação do mundo em desenvolvimento em suas decisões", disse Bielsa, que não citou nenhuma instituição em especial.

Asselborn defendeu a conveniência de reforçar o sistema multilateral.

"Lembremos, também, que nenhum Estado está disposto a atuar somente enfrentando seus desafios", declarou o ministro.

A reunião será concluída nesta sexta-feira com uma declaração conjunta em que os dois blocos apostam em reforçar o "papel central das Nações Unidas" na prevenção e gestão de conflitos, e defendem também o cumprimento das Metas do Milênio, que prevêem a redução da pobreza à metade até 2015.

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