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Comércio exterior
Português vira idioma oficial de negócios da China
Quarta, 20 de Julho de 2005, 11h47
Fonte: Agência EFE
Após 453 anos de domínio português, os pragmáticos chineses de Macau acabam de descobrir a importância do idioma dos colonizadores na hora de fazer negócios com alguns de seus novos parceiros no mundo em desenvolvimento.
Por isso, as escolas de português estão lotadas. A Universidade de Macau teve até que recusar estudantes que desejavam aprender ali o idioma de Camões.
Apenas seis anos depois de "expulsar" os portugueses dessa colônia asiática, a China deixou sob responsabilidade de Macau a intermediação comercial com outros países lusófonos, entre eles Brasil e Moçambique, onde possui importantes interesses energéticos.
"Os orientais são pragmáticos, e o português é agora uma língua de negócios", conta à EFE Antônio Vasconcelos, presidente do Instituto Português do Oriente (IPOR), um órgão que funciona na Ásia como o Instituto Camões no resto do mundo.
Nas instalações macauenses do IPOR, que coordena a promoção do idioma em suas antigas colônias asiáticas como Goa, Malaca e Timor, e também em países como Japão, Indonésia e Vietnã, estudam 1.100 pessoas.
Em sua sede, no Hospital de São Rafael, um dos símbolos históricos do centro de Macau, o IPOR desenvolve uma série de exposições e conferências, e publica uma completa coleção de estudos sobre os vínculos entre Portugal e o mundo oriental.
Em Macau, onde os nomes das ruas estão escritos em português e que parece uma versão alegre e despreocupada de Lisboa, dezenas de milhares de pessoas compreendem a língua de Fernando Pessoa. Mais de 1.500 portugueses continuam vivendo na ex-colônia européia.
Além disso, uma nova legião de portugueses se deslocou à região a pedido da administração local, para trabalhar como assessores do Governo.
Uma peculiaridade que mantém o idioma português vivo em Macau é o fato de os modelos de seu sistema jurídico estarem escritos na língua de Camões, por isso as salas dos centros de ensino de português estão cheias de futuros magistrados e advogados.
"Nós não temos grandes interesses comerciais na Ásia, e podemos estabilizar-nos na promoção cultural", assegura Vasconcelos. "Tentamos assumir nossas responsabilidades históricas", completa.
Durante séculos, os líderes incentivaram os colonos a se misturar com a população local, algo que não ocorreu com os britânicos em Hong Kong, e por isso muitos macauenses se identificam com a cultura portuguesa.
Desde a "devolução" do território à China, em 1999, o Governo local utilizou boa parte dos multimilionários investimentos derivados dos cassinos para promover a herança portuguesa.
Recentemente, o centro histórico de Macau, facilmente identificável com um bairro antigo de Porto ou Coimbra, foi declarado "Patrimônio da Humanidade" pela Unesco.
"O Governo quer promover a distinção histórica de Macau com o resto da China", assegura Manuel Joaquim das Neves, diretor da Agência de Inspeção e Coordenação do Jogo.
Este investimento teve seus frutos e, segundo a professora Maria Antonia Espadinha, diretora do departamento de português da Universidade de Macau, permitiu desenvolver importantes programas de ensino desse idioma europeu.
"Atualmente, estamos desenvolvendo uma licenciatura de língua e cultura portuguesas, que é muito popular", afirmou à EFE.
No entanto, o progresso do português como língua internacional significou quase a morte do "baduao", um velho dialeto, mistura do luso e do cantonês. É falado atualmente por alguns idosos, mas foi muito popular em Macau durante séculos.
"Macau oferece hoje uma imagem viva", declara Vasconcelos.
E agora, multimilionária e transformada na "Las Vegas" asiática, seus líderes estão convencidos de que Macau deve apostar no futuro, que passa pelo vínculo entre a China e o resto dos países que falam português.
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