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Persistencia é o caminho para exportações
Comércio Exterior
Persistencia é o caminho para exportações
LUIZ FURLAN PARTICIPOU DO 91º ENCOMEX, EM CHAPECÓ
Terça, 3 de Maio de 2005, 15h44


O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, sugeriu na abertura do 91º Encontro de Comércio Exterior, realizado em Chapecó-SC semana passada, que os empresários “ataquem mais, não tenham medo de explorar o mercado externo e não desanimem com dificuldades ou baixa rentabilidade em alguns momentos”. Segundo ele, as exportações brasileiras, nos últimos 12 meses, ultrapassaram os US$ 100 bilhões e, com um ano de antecedência, atingiram a meta estipulada pelo Governo. Furlan, que é natural de Concórdia, falou aproximadamente 50 minutos sobre comércio exterior, políticas de desenvolvimento industrial, abertura de mercado e investimentos do Governo em financiamentos de produção e foi sabatinado pelos participantes do evento. O administrador de empresas e professor universitário Marcelo José Cardozo Dias foi um dos palestrantes do Encomex. Ele abordou a “Exportação de Móveis: da Logística à Administração Aduaneira”.

Marcelo iniciou a palestra com uma “frase” tirada da revista Você S/A de março 2004 - “As exportações estão indo bem, obrigado, mas ainda faltam bons executivos de comércio exterior para sustentar esse crescimento”. Lembrou que, recentemente, o Brasil chegou aos 100 bilhões de dólares no seu volume de exportação, e na abertura do Encomex o ministro Furlan afirmou que a previsão para 2005 é atingir 120 bilhões de dólares, e mais do que nunca Administradores serão importantes para manter esse crescimento. O administrador parnanguara alertou que as empresas que pretendem entrar no Comércio Exterior devem atentar aos fatores internacionais que influenciam diretamente o comércio internacional: Nacional, Regional e Multilateral.

Como exemplo lembrou que muitos empresários e prestadores de serviços esquecem os princípios básicos da própria legislação brasileira, através do decreto 4.543/02, e suas “alterações”, que regulamentam a administração das atividades aduaneiras e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de Comércio Exterior. Ou seja, que o enquadramento correto da mercadoria na NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) permite atender e conhecer os procedimentos legais e atender as “exigências” dos órgãos anuentes brasileiros (Decex, Min.Agricultura, Saúde, Receita Federal), os acordos internacionais (Mercosul, Aladi, SGPC) e as próprias exigências do importador.

“Hoje os produtos brasileiros são aceitos em qualquer canto do mundo, basta que tenham boa qualidade, preço competitivo, prazo de entrega e continuidade”, afirmou, lembrando que o comprador, antes de fechar o contrato, faz toda uma análise do mercado vendedor e tem um grande custo de marketing no seu país para divulgar o produto. “Então a continuidade é que irá garantir os seus lucros, e o exportador brasileiro precisa ter conhecimento de que a parceria tem que ser duradoura”. Marcelo Dias destacou a importância de se ter uma equipe treinada dentro da empresa (Departamento de Comércio Exterior) ou ser criteriosa na contração dos seus prestadores de serviços.

EXPORTAÇÃO DE MÓVEIS

Na palestra, realizada no Lang Palace Hotel, Marcelo Dias lembrou que na exportação de móveis a matéria-prima é essencial e que alguns exportadores, para garantir a qualidade dos seus produtos, têm as suas próprias áreas e serrarias. Até porque hoje para se exportar há necessidade de ser obter certificação do FSC (em português Conselho Manejo Florestal). “Ao reservar espaço (booking) junto ao armador ou seu agente para embarcar a sua carga, o primeiro cuidado é quanto às condições da respectiva unidade de carga (container) o qual deverá acontecer no pátio designado pelo armador”, salientou. O palestrante disse também que algumas empresas, após passar por problemas com containeres avariados, estão dando treinamento aos seus motoristas.

Destacou que algumas transportadoras já oferecem vistoria técnica, agregando valor aos serviços, mas garantindo segurança na operação. Outro fator abordado por Marcelo Dias foi a questão do seguro da carga e também do próprio container, o qual após ser retirado do Terminal do Armador fica sob responsabilidade do exportador até a sua entrega no Terminal indicado para embarque. Apresentou alguns exemplos de mercadorias que chegaram totalmente avariadas no local de destino por avarias no container e também de mercadorias que não agüentaram o calor que se fez dentro de um container, e pela péssima qualidade da matéria-prima utilizada, sem utilidade para comercialização.

“A Logística Portuária poderá ser definida conhecendo-se a classificação da mercadoria, seus tratamentos administrativos e os Recintos Alfandegados - Terminais que autorizados pela Secretaria da Receita Federal estão aptos para receber, movimentar, manusear mercadorias para exportação e/ou importação”. Esse, basicamente, foi o foco principal da palestra do administrador parnanguara. Ele destacou que alguns exportadores (e até empresas prestadoras dos serviços aduaneiros) desconhecem as diversas operações realizadas nos portos, como exemplo os prazos e locais estabelecidos pelos armadores para entrega das mercadorias já liberadas para embarque (Lista de Carga, Pré-stacking e deadline).

De acordo com Marcelo Dias, atendendo os princípios básicos da legislação aduaneira, não haverá dificuldades na liberação de cargas, com exceção dos naturais entraves burocráticos e falta de infra-estrutura. Encerrou dizendo que é preciso eliminar a falta de padronização entre os órgãos envolvidos na liberação dos processos, independente do local de embarque, para que haja uma linguagem uniforme, resultando em maior agilidade nos portos brasileiros. Essa, inclusive, foi a pergunta que fez ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, onde relatou que nos portos brasileiros alguns órgãos anuentes, sob a mesma legislação têm procedimentos diferentes. Marcelo ouviu de Furlan que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende colocar todos os órgãos que trabalham com exportação no mesmo prédio, pois desta forma facilita a comunicação, a troca de informações e os horários de funcionamento.

Após a análise de diversos casos relatados por exportadores e agentes de cargas, chegou-se a uma conclusão dos portos do Paraná e Santa Catarina, neste caso, para exportação de móveis: no porto que possui o Terminal Alfandegado considerado o maior da América Latina para containeres, mesmo a carência de dias livres de armazenagem para exportação pode ficar em segundo plano quando comentam questões como preços dos pedágios e apresentação de documentos aos órgãos anuentes (o que entendem como burocracia). Por outro lado, nos portos em que os exportadores entendem que os entraves burocráticos podem ser menores, a falta de Terminais para enviar seus containeres para exportação, pode influenciar no custo final do produto.

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