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Comércio exterior
Países produtores de café precisam negociar melhor remuneração
28 de Setembro de 2005
A crise atravessada nos últimos anos pelo setor cafeeiro deixou marcas importantes e a lição de que algo tem que ser feito para garantir uma remuneração razoável aos produtores. Foi exatamente esse o principal recado deixado pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, durante a 2ª Conferência Mundial de Café, realizada no final de semana em Salvador (BA), reunindo representantes de 65 países. "Temos que dar condições para que haja um equilíbrio entre todos elos da cadeia produtiva do café, com ênfase no produtor, garantindo-lhe uma remuneração adequada?, destacou.
Rodrigues lembrou que os principais compradores do café verde, normalmente países desenvolvidos, pagam US$ 100 por saca. Depois que o produto é processado, ela passa a valer US$ 10 mil. "Isso dá a dimensão da diferença do preço recebido pelo produtor e o despendido pelo consumidor na ponta da cadeia".
Para aumentar o faturamento dos países produtores de café é preciso adotar várias ações, enfatizou o ministro. "Não é apenas uma questão singela de torrar e moer o café. Devemos realizar acordos internacionais e negociações na área de comércio exterior, entre outras medidas que foram discutidas na conferência".
Durante a entrevista, também foram apresentados os principais temas conclusivos do evento. Ambiente econômico; consumo e demanda; relação entre produção e oferta; sustentabilidade; transparência no mercado e qualidade são assuntos recorrentes que precisam ser analisados em profundidade por todos os produtores.
"O mercado de café não pode ser considerado isoladamente da economia como um todo e mais particularmente das commodities, em cujo mercado não há clima para intervenção", acrescentou o ministro. "Hoje, não há espaço para cotas ou acordos para restringir a produção. Precisamos trabalhar na direção oposta, buscando eliminar barreiras tarifárias e garantir livre acesso a mercados para o café e para outros produtos que possibilitem a diversificação."
O ministro assinalou também que os países produtores devem criar sistemas para atender à demanda do mercado. "Precisamos trabalhar em nossos países para construir mecanismos de mercado que ordenem o fluxo das safras de forma a garantir um abastecimento estável, que interessa a todos os elos da cadeia."
Estoques - Rodrigues anunciou que o Brasil chegará ao início da próxima colheita, em abril de 2006, com os mais baixos estoques de café das últimas décadas. Em 12 meses, o País precisa de 42 milhões de sacas, 27 milhões para exportação e 15 milhões para consumo doméstico. Mas a safra atual, os estoques do setor privado e o que pode ser usado da rede oficial somam em torno de 40 milhões de sacas.
"Estamos muito mais perto da falta de café do que de um quadro de superoferta", destacou o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Linneu da Costa Lima.
Para o diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), o colombiano Néstor Osorio, os investidores ainda não avaliaram os baixos estoques do Brasil, maior produtor mundial, e de outros países de destaque, como Vietnã, Colômbia, México, Indonésia e Índia.
A OIC estima que os produtores contem com apenas 8 milhões de sacas à disposição atualmente. Os países importadores têm de 20 milhões a 22 milhões de sacas. A demanda mundial é de 115 milhões de sacas por ano. O diretor da OIC destacou ainda a análise de que os preços do café se ressentem da migração de recursos para os negócios com petróleo, alavancados pelas altas cotações, acima de US$ 60 o barril.
O ministro Rodrigues afirmou que o Brasil pretende manter uma participação de 40% no mercado mundial de café, sobretudo pelo incremento da produtividade, que deve passar das atuais 15 sacas por hectare para 20 sacas por hectare. A expectativa é de que a demanda mundial passe dos atuais 115 milhões de sacas anuais para 130 milhões em 2010.
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