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Comércio exterior
Missão de algodoeiros quer País como maior exportador
27 de Setembro de 2005
Fonte: Diário do Comércio e Indústria
Mais de 20 grandes produtores brasileiros de algodão ingressam em uma missão empresarial com duração de 30 dias, que incluirá a visita a cinco países: Inglaterra, Suíça, Turquia, China e Austrália. O foco dos empresários é tornar o Brasil o maior exportador mundial de algodão até 2008.
No momento, o País ocupa o quarto lugar no ranking dos exportadores mundiais. Na liderança estão os Estados Unidos com 40% do comércio mundial de algodão. A classificação se deve aos subsídios que os produtores norte-americanos recebem do governo como garantia de produtividade - motivo de litígios de todo o mundo contra os Estados Unidos no âmbito da OMC - Organização Mundial do Comércio. Apoiado pelo Mapa - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Abrapa - Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, a ofensiva começa em Liverpool, na Inglaterra.
De acordo com o presidente da Abrapa, Jorge Maeda, na cidade inglesa, o grupo vai participar do International Cotton Advisory Committee. "Haverá várias reuniões que envolvem todo o setor, incluindo produtores, trading companies, indústrias têxteis, bancos, armadores, seguradoras, empresas de logística, entre outros players", informou Maeda.
A cidade seguinte no roteiro é Zurich, na Suíça, onde não há plantações de algodão nem indústrias têxteis, mas, segundo Maeda, o objetivo é se valer da experiência da localidade, classificada como "centro financeiro europeu". O principal objetivo, segundo ele, é apresentar a indústria produtora brasileira aos novos mecanismos de financiamento para o algodão. Serão introduzidas ao setor privado novidades do setor financeiro em seguros, modalidades de ACC - Adiantamento de Contrato de Câmbio, bem como financiamento de investimento para modernização da produção.
"Os produtores devem acessar mercados internacionais com custos menores, e de forma mais moderna. É interessante abandonar o paternalismo para encontrar o caminho próprio das exportações, afinal, o setor privado é o responsável por alavancar a modernização da economia", disse Maeda.
Na Turquia, um país em desenvolvimento, como o Brasil, e um de seus principais concorrentes, os exportadores vão conhecer o parque têxtil, em constante crescimento. Na Austrália, o foco dos trabalhos estará em biotecnologia e logística - considerada uma das mais modernas do mundo pela Abrapa.
Em Xangai, na China - principal destino das exportações brasileiras do algodão -, os empresários pretendem estreitar os negócios a partir da maior fábrica têxtil do mundo. "Preservar e ampliar a fatia de participação do mercado chinês é a prioridade porque aquele país é que vai ditar o ritmo de crescimento da produção nacional", ressaltou o dirigente da entidade.
Maeda está otimista em relação aos resultados desta ofensiva, e acredita que o Brasil será o maior produtor e exportador mundial antes da previsão. "Isso porque o algodão brasileiro está entre os melhores do mundo, comparado ao da Califórnia, Estados Unidos, e da Austrália."
"No que tange a produtores, a colocação do Brasil em primeiro lugar já se trata de uma realidade", disse. "Dependemos de alguma atitudes do governo brasileiro, no entanto", acrescentou o empresário.
Os maiores obstáculos enfrentados pelo setor, segundo Maeda, são o custo tributário, como o ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, as contribuições na área trabalhista e os custos de logística. "De Mato Grosso ao porto de Paranaguá (PR), por exemplo, se gasta o mesmo valor da própria exportação do porto à China, por exemplo", comparou.
"De qualquer forma, esta missão traduz a procura do setor por novas oportunidades, soluções, business diferenciados. Os produtores só têm a ganhar", disse Maeda.
Em relação às atuais exportações, segundo os dados do Mdic - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil comercializou, de janeiro a agosto mais de US$ 153,4 milhões - o equivalente a 130 milhões de quilos.
Os valores representam um crescimento de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportados US$ 146,6 milhões - ou 120 milhões de quilos.
Os principais destinos das exportações brasileiras se concentram na Ásia, segundo a Abrapa. Além da China, que concentra o maior número de indústrias têxteis do mundo, estão na região outros dois grandes importadores do algodão brasileiro: a Indonésia e Taiwan.
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