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Lula garante que cafeicultores terão recursos garantidos em 2006
Comércio exterior
Lula garante que cafeicultores terão recursos garantidos em 2006
29 de Setembro de 2005
Fonte: ABr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que 70% do café colhido no mundo vêm de propriedades com menos de 10 hectares espalhadas por 60 países e reúnem mais de 25 milhões de pessoas.. No Brasil, o café garante uma receita nacional de US$ 2 bilhões e ocupa 8,4 milhões de pessoas. Os cafezais estendem-se por 2,7 milhões de hectares, divididos entre 300 mil produtores em 14 estados.

Segundo Lula, o governo já liberou para a cafeicultura R$ 1,259 bilhão para o financiamento, o custeio e a comercialização do café em 2005 e garantiu que o apoio continuará a ser mantido no próximo ano. "De forma que os cafeicultores não ficarão à mercê das urgências, do sobe e desce das bolsas, conseguindo com isso negociar seu produto pelos preços mais justos", destacou Lula na 2ª Conferência Mundial do Café, em Salvador (BA).

Ele lembrou que o Brasil é o maior produtor mundial de café e caminha para ser o maior consumidor do produto, lugar ocupado hoje pelos Estados Unidos. Segundo ele, o café é a segunda mais importante mercadoria do planeta, atrás apenas do petróleo. No entanto, ele afirmou que a produção do café, diferentemente do combustível, agrega um imenso contingente de pequenos agricultores.

A cafeicultura passou uma de suas mais graves crises de 2000 a 2004, quando os preços do produto despencaram no mercado internacional, graças ao excesso de oferta e aos estoques elevados. Porém, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Agricultura, a recuperação da cotação do café no mercado mundial ainda não foi suficiente para recapitalizar o setor, que passou os últimos quatro anos com preços de venda abaixo do custo de produção.

A CNA realizou uma pesquisa junto a 570 cafeicultores de todo o País nos meses de julho e agosto deste ano. O levantamento revela que 14% dos cafeicultores têm algum contrato de financiamento em inadimplência. "Muitos produtores ainda não conseguiram saldar todos os seus compromissos", reconhece o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Lineu da Costa Lima. Ele destaca que o custo do da saca de 60 quilos de café gira ao redor de US$ 80 e os preços caíram a US$ 40 em 2002. Apenas no final de 2004, a cotação ultrapassou a barreira dos US$ 100 por saca.

"Muita gente ou já não tinha café ou já tinha vendido, para entrega futura, parte da sua safra deste ano", revela Costa Lima. "A crise foi muito forte e para a cafeicultura sair da crise são necessários pelo menos três anos de preços razoáveis", estima.

Segundo o secretário, os produtores são sempre os mais atingidos pelas crises do setor pois o café é uma cultura de alto investimento e que só dá retorno depois de cinco anos. "Se ele está com uma lavoura plantada há três anos, que ainda vai entrar em produção, e tem uma crise na frente, o produtor tem que continuar trabalhando, plantando, gastando, senão o desastre é muito maior e ele não consegue nem honrar o compromisso dele com o banco", afirma.

"O exportador, o comerciante ou o torrador diminui seu estoque, vende menos, não compra mais. Ele tem atitudes administrativas muito ágeis. O produtor não tem esta agilidade comercial", avalia.

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