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O Brasil precisa melhorar os processos de comunicação - anúncios e propaganda informativa, por exemplo - e a distribuição de seus produtos no exterior. Essas são as principais constatações da administradora de empresas Janaína Giraldi, autora de um estudo que analisou a maneira como os estudantes holandeses se portam, comercialmente, diante de produtos brasileiros
"A Holanda está entre os quatro países na lista dos importadores de produtos brasileiros. Além disso, o porto de Roterdam é uma porta de entrada para o mercado da União Européia", afirma a pesquisadora.
A pesquisa de mestrado de Janaína, realizada na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, baseou-se em questionários respondidos por 116 estudantes da Faculdade de Economia de Haarlem (School of Economics Haarlem).
As 95 questões versavam sobre a avaliação de quatro mercadorias brasileiras importadas pela Holanda - carne bovina, calçados, móveis e frutas frescas - bem como a familiaridade dos estudantes com o Brasil e seus produtos de exportação, e a imagem do país propriamente dita.
Este último elemento pode ser dividido em cinco dimensões: respeito e importância do Brasil no cenário internacional, simpatia e admiração pelo país, avaliação das artes brasileiras, dos produtos e das estratégias de comunicação e distribuição.
As únicas dimensões da imagem do Brasil avaliadas positivamente pelos estudantes foram a produção artística e sua "simpatia". O item Comunicação e distribuição recebeu a pior nota. "É preciso melhorar nossas ações de divulgação e visibilidade", destaca a pesquisadora.
Em seguida, por meio de cálculos e cruzamentos estatísticos, Janaína analisou a maneira com que essa imagem influencia a avaliação dos produtos brasileiros - o chamado "efeito país de origem".
O efeito é nulo somente no caso da carne bovina, ou seja, a imagem que os consumidores têm do Brasil não exerce influência sobre sua atitude com relação a esse produto. Para as frutas, a imagem atua de maneira positiva. Para móveis e calçados, o efeito é negativo.
A pesquisadora também investigou se o efeito país de origem era mais intenso para consumidores pouco familiarizados com o produto, hipótese confirmada apenas para o caso dos móveis. "De certa forma, foi uma surpresa, pois a maior familiaridade com uma mercadoria tende a reduzir a influência da imagem do país de origem sobre a atitude do consumidor", declara.
A pesquisadora defende a realização de estudos mais amplos na área, que levem em conta outros aspectos importantes na comercialização de produtos. "Idade do consumidor, experiência e envolvimento com o produto, por exemplo, são moderadores de grande influência", ressalta.
O estudo de Janaína, A influência da imagem do Brasil na atitude de consumidores estrangeiros com relação a produtos brasileiros: um estudo com estudantes universitários holandeses, está disponível integralmente no Banco de Teses e Dissertações do Portal Saber.
Mais informações: janaina_giraldi@yahoo.com.br (Agência USP de Notícias)
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