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Diplomacia empresarial deverá beneficiar exportações brasileiras
Comércio exterior
Diplomacia empresarial deverá beneficiar exportações brasileiras
26 de Setembro de 2005

Embora as exportações brasileiras registrem sucessivos recordes, nos últimos meses, e já ultrapassem US$ 81 bilhões, acumulando saldo de US$ 31 bilhões, especialistas apostam que o País não se tem beneficiado favoravelmente do atual cenário do comércio global.

A diplomacia empresarial acena com a possibilidade de colocar o Brasil em outro patamar nesse comércio.

Marcos Prado Troyjo, diplomata, presidente internacional da Gazeta Mercantil e diretor do Departamento de Integração do Fórum das Américas, que defende a estratégia de diplomacia empresarial para o comércio exterior brasileiro, concorda com essa tese e afirma que é importante analisar porque, enquanto no último ano o Brasil exportou US$ 100 bilhões, economias emergentes como México e Coréia do Sul exportaram US$ 180 e US$ 210 bilhões, respectivamente, sem falar na China, que vende ao mercado global nada menos que meio trilhão de dólares por ano.

Troyjo avalia que o Brasil está nessa situação, ainda, porque nos últimos 20 anos optou por uma estratégia financeira, não empresarial, ou seja, para atrair poupança, contraiu empréstimos internacionais, em vez de tornar-se um país comerciante perante a economia mundial.

Em contrapartida, países emergentes que privilegiaram exportações, investimentos em tecnologia, reduziram contas públicas, captaram IEDs (Investimentos Estrangeiros Diretos), e optaram por uma estratégia empresarial, como é o caso da China, tiveram crescimentos mais satisfatórios e conseguiram aumentar sua renda per capita.

O diplomata acredita que, para que o Brasil possa aproveitar o cenário internacional extremamente favorável (crescimento de 9% ao ano da economia chinesa, importação de US$ 1,7 trilhão por ano dos EUA, entre outros fatores), é vital que se desenvolva uma estratégia nacional cuja espinha dorsal seja a expansão em termos de comércio exterior e atração de IEDs. "A diplomacia empresarial nada mais é que a atividade de potencializar as empresas brasileiras para captarem IEDs e capacitá-las a exportar", explica.

Para viabilizar o esforço exportador, entende que é fundamental ter acesso privilegiado a mercados como EUA, União Européia e Japão e espera que haja empenho para que a Rodada de Doha nos sorria favoravelmente. Também acredita que o Brasil deva se aproximar bilateralmente dos EUA.

Segundo Troyjo, é evidente que o País acabará fazendo um acordo com os americanos, mas a onda ideológica de se opor às conversações debaixo do guarda-chuva da Alca poderá significar para nós um poder de barganha muito menor, uma vez que outros países da América Latina já terão fechado acordos bilaterais com os EUA há muito tempo.

Outro fator considerado importante pelo diplomata é aumentar o número de empresas que participam do Comércio Exterior.

Ele alerta que apenas 500 empresas detêm 85% do total exportado pelo País. Dos US$ 100 bilhões exportados em 2004, somente US$ 1,3 bilhão foi comercializado por empresas que têm menos de 250 funcionários. "As micro e pequenas empresas não exportam. É necessário um grande esforço do governo e do setor privado para que, no prazo de 10 anos, as exportações dessas empresas saltem de US$ 1,3 bilhão para US$ 20 bilhões", enfatiza.

Para conseguir maior inserção dos produtos brasileiros no mercado internacional e expandir a atuação das empresas nacionais no comércio global, o diplomata defende a formação de recursos humanos com capacidade para vender esses produtos no exterior. "Não formamos pessoas para vender ao mundo e precisamos de profissionais que se desloquem ao mercado internacional para vender", afirma.

Conforme Troyjo, os setores produtivos do Brasil têm de trabalhar para que se permita complementar a formação universitária, acrescentar mais uma pele às pessoas que saem das faculdades ou mesmo as que detêm MBA e mostrar ao pequeno empresário como ele pode competir, pelo menos "organizacionalmente", com entidades semelhantes em outras partes do mundo. Ele recomenda, para exercer a diplomacia empresarial, inserir produtos em novos mercados ou aumentar as exportações nos mercados tradicionais, que as empresas tenham um departamento de relações internacionais ou diplomacia empresarial, cuja área poderá ser do tamanho da necessidade e da capacidade da empresa. Mas considera importante ter gente preparada, que saiba vender para o mundo.

Além disso, explica que, se nos referirmos a uma empresa com boa infra-estrutura, esse departamento poderá contar com profissionais especialistas em direito patentário, direito internacional, negociações internacionais ou em vendas, road shows e outras especializações. Porém, se estivermos tratando de micro ou pequena empresa, um jovem bilíngüe ou trilíngüe, formado em Comércio Exterior ou Relações Internacionais, que tenha um salário de R$ 1.800, mais comissão sobre as vendas, poderá fazer a ponte com o mercado internacional.

Esse departamento será responsável por articular a participação em feiras de comércio exterior, parcerias com câmaras e associações de classe, missões empresariais e road shows, acompanhar resultados de negociações internacionais, entre outras atividades.

O diplomata afirma que a internacionalização também é parte importante da diplomacia empresarial e é o caminho para vender mais ao exterior, pois é relevante que haja pontos de observação constante nos grandes postos compradores. Ele comenta que, no Brasil, com 180 milhões de pessoas, temos apenas seis ou sete empresas multinacionais, enquanto a Suécia, que tem apenas oito milhões de habitantes, detém 150 empresas multinacionais. "O próprio cliente é que passa a demandar qual parte do negócio se realiza no exterior, como ocorreu com a Vale do Rio Doce e a Embraer recentemente", analisa.

O presidente internacional da Gazeta Mercantil deixa uma importante mensagem: "Há um consenso nos diferentes meios sociais de que o Brasil parou de pensar no conceito de estratégia nacional. Que País vamos querer para nós mesmos ?"

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