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Conferência Mundial do Café começa sexta em Salvador
Comércio exterior
Conferência Mundial do Café começa sexta em Salvador
21 se setembro de 2005

Mais de 500 participantes estrangeiros e outros 500 brasileiros devem participar da 2ª Conferência Mundial do Café, que acontecerá de sexta a domingo (23 a 25) no Pestana Bahia Hotel, em Salvador (SP). Na sexta-feira, o dia será dedicado ao credenciamento de registro dos inscritos, e à noite será inaugurada a Exposição de Produtos & Serviços, no Salão Jorge Amado, seguida do lançamento de um selo e carimbo personalizados do evento e de coquetel de boas-vindas.

Promovida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em parceria com a Organização Internacional do Café (OIC), e organizada pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a Conferência será oficialmente aberta sábado, às 10 horas, em solenidade que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe Vélez e de El Salvador, Elias Antônio Saca, além do governador Paulo Souto, do ministro Roberto Rodrigues, que é presidente da Conferência, e do diretor-executivo da OIC, Néstor Osorio.

A Conferência Mundial tem como objetivo analisar o recente cenário da economia cafeeira, marcado por uma das mais graves crises de preços já vivida pelo setor, e traçar estratégias futuras que busquem o equilíbrio entre produção e consumo. O tema central, "Lições que surgem da crise: novos caminhos para o setor cafeeiro", será tratado em três sessões específicas: "Lições que surgem da crise"; "Políticas de café em uma economia de mercado"; e "Como desenvolver uma economia cafeeira sustentável".

A primeira sessão da conferência - "Lições que surgem da crise" - vai ocorrer no sábado e será um dos principais tópicos, justamente porque vai analisar todo o passado recente vivido pelo setor, procurando identificar os principais erros ou fatores que fizeram desabar a economia cafeeira provocando o aumento do desemprego, da fome e da miséria na grande maioria dos 60 países produtores de café.

Questão de sobrevivência

Para se ter uma idéia da importância da commodity, basta lembrar que a queda no preço do grão no mercado internacional no início da década de 1990, causada justamente pelo excesso de oferta do produto, e a ditadura de preços baixos imposta pelas transnacionais do ramo quase levou à falência mais de 40% dos países produtores de café.

Caso, por exemplo, de Etiópia, Burundi, Ruanda e Uganda, cujas economias são dependentes, basicamente, da cafeicultura. Ela é fonte de renda e de emprego. Nesses países, o café responde por até 80% das exportações. Vale lembrar que essas nações são consideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) as mais pobres do planeta.

Um estudo realizado pela OIC, em 2003, revela que 25 milhões de pessoas no mundo, entre trabalhadores rurais e produtores, vivem da cafeicultura. No Brasil, 3,5 milhões de trabalhadores estão ocupados no setor cafeeiro. Na Colômbia, 800 mil empregos diretos são gerados na área rural com essa cultura e, no México, mais de 3 milhões de pessoas dependem do café.

Para a economista Sandra Mara de Alencar Schiavi, do Grupo de Estudos e Pesquisas Agroindustriais (Gepai) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o café, portanto, é de fundamental importância para os países produtores do ponto de vista social.

Em pesquisa realizada em 2003 (Relatório Setorial Preliminar), ela mostra que na maioria dos países produtores o café é responsável pela sustentação de uma fração expressiva da agricultura familiar. Com base em dados da OIC, a economista comprova que os agricultores familiares são maioria nos países produtores da planta: no Brasil, correspondem a dois terços das propriedades. Na África e na Venezuela, os pequenos agricultores são a maioria.

De acordo com a OIC, boa parte dessas nações é de "café-dependentes", ou seja, o produto é sinônimo de câmbio, chegando a responder por mais de 50% - e em alguns casos a 75% - das receitas de exportação.

Para Thiago Masson, assessor técnico da Comissão Nacional do Café da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a conferência da Bahia será, portanto, uma oportunidade única para a comunidade cafeeira mundial refletir sobre os erros cometidos e delinear novas estratégias e políticas setoriais.

Todas as informações das sessões estão reunidas no site www.worldcoffeeconference.com

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