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Comércio exterior
Brasil envia tropa de choque à Argentina para curar "dor do crescimento"
Quinta, 5 de Maio de 2005, 18h43 Fonte: Agência EFE
Uma missão de técnicos brasileiros irá à Argentina na próxima semana para discutir uma série de problemas comerciais entre os dois maiores parceiros do Mercosul. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse, em tom de piada, que a missão é uma "tropa de choque", em referência às tensões que surgiram nesta semana.
Fontes oficiais do governo brasileiro tratam o desentendimento entre os parceiros como a "dor do crescimento".
Apesar de brincar, Furlan disse que não há nenhuma crise com a Argentina. "São as dores do crescimento. Os dois países têm crescimento de economia, tem inflação sobre controle, exportações crescentes" e por isso às vezes entram em conflito, explicou, ao comentar as queixas da Argentina por causa da "invasão" de alguns produtos brasileiros.
Na longa lista de produtos que causam divergências entre os empresários dos dois países estão os sapatos e os vinhos, que nos últimos tempos se tornaram um novo foco de divergência.
Os empresários vinícolas brasileiros reclamaram da "má qualidade" dos vinhos importados da Argentina e pediram que Furlan estabeleça algum tipo de impedimento ou aplique um "princípio de qualidade".
Segundo as empresas brasileiras, que pouco a pouco começam a produzir melhores vinhos, os que chegam da Argentina são de baixa qualidade, mas são vendidos usando como "gancho" o prestígio das adegas centenárias do vizinho.
O mesmo acontece com os sapatos brasileiros, que chegam ao país vizinho a preços muito baixos e representam um freio para a reconhecida indústria de calçado argentina.
Segundo Furlan, esses assuntos serão discutidos nas reuniões da próxima semana, que serão as primeiras desde que surgiram novas diferenças comerciais entre os dois parceiros do Mercosul, bloco também formado por Paraguai e Uruguai.
Na semana que vem, em Brasília, Lula irá se encontrar com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, durante a primeira Cúpula de Países Sul-americanos e Árabes.
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